Um romance a minha maneira
O corredor que dava acesso aos escritórios de recursos humanos estava vazio. Apenas Ana e Gerard passariam por ele. Os dois caminharam conversando sobre o projeto. Incrivelmente a partir daquele dia estariam ligados de uma forma ou de outra. Ele proporcionaria lazer aos funcionários e a responsabilidade dela era criar as estratégias de promoção de saúde dentro da empresa. Precisariam trabalhar juntos e isso animou aos dois.
À porta da sala, Ana encostou-se à porta. Não estava cansada, era apenas uma de suas meigas manias. Vigiou os passos de seu amado e alegrou-se e ao vê-lo entrar no escritório bem a sua frente.
O olhar de ambos ora se fixava no computador ora acima dele. Infelizmente a visão clara das salas era impedida por uma pilastra em mármore. Entre as conversas sérias e extremamente profissionais pelo Skype, Gerard soltava umas piadinhas, das quais Ana sempre se recordava e sorria.
Alguns dias se passaram e Gerard parecia ter se distanciado. Será que fiz alguma coisa? O que falei de errado? Ana se questionava. Não compreendia o porquê daquela mudança repentina. Como um insight lembrou-se da aliança em sua mão direita. Céus como pude me esquecer? Ela estava tão envolvida com as memórias de seu namorico de infância, tão deslumbrada com a beleza e educação de seu primeiro amor, que se esquecera desse fato marcante: ele era compromissado.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
E foi assim, um encontro inesperado. V
Um romance a minha maneira.
A construção no prédio às vezes a impedia de fazer suas ligações diárias. Irritada, tentava não pensar no tempo que estava perdendo ali. Era uma moça sonhadora. Desejava viajar o mundo a começar pelos cantos pouco conhecidos do Brasil. Como não tinha dinheiro e muito menos coragem se contentava em assistir a séries de TV. O pedreiro se aproximou e o som da furadeira se tornou ensurdecedor. Pelo corredor, impaciente ela resmungava palavrões. Por sorte seu chefe não ouviu. Eufórico trazia as notícias de que fariam umas mudanças no setor da empresa. Coisas simples, apenas reposicionariam os setores.
Papéis, arquivos e coisas miúdas. Era uma sala branca com detalhes em lilás onde a decoradora, de muito bom gosto por sinal, posicionou uma fonte junto à imensa janela de vidros. Atenta aos detalhes e à organização, Ana nem percebeu que o seu novo escritório dava frente ao do novo colega de trabalho.
De olhos fechados repousou em sua poltrona de veludo bege. Estava cansada. Girando de um lado pro outro ouvia o barulho acolhedor das águas. Se abrisse os olhos nesse instante veria Gerard em silêncio reparar em sua brincadeira.
Pelo Skype, os funcionários foram chamados a comparecerem ao refeitório. O imenso bolo em homenagem aos 10 anos da empresa chamou a atenção de Ana que salivando ansiosa esperava pela primeira mordida. O diretor da empresa apresentou a todos o funcionário recém-chegado. Ela estremeceu-se, seus olhos brilharam. Propositalmente estava bem vestida e maquiada levemente de forma que a cor castanha de seus olhos se destacou pelos traços de Creon. A alguns metros Gerard conversava com outros homens, porém não deixava de retribuir aos flertes de Ana. Cena impactante. Se cupidos existem, suas flechas se acabaram naquele momento.
A construção no prédio às vezes a impedia de fazer suas ligações diárias. Irritada, tentava não pensar no tempo que estava perdendo ali. Era uma moça sonhadora. Desejava viajar o mundo a começar pelos cantos pouco conhecidos do Brasil. Como não tinha dinheiro e muito menos coragem se contentava em assistir a séries de TV. O pedreiro se aproximou e o som da furadeira se tornou ensurdecedor. Pelo corredor, impaciente ela resmungava palavrões. Por sorte seu chefe não ouviu. Eufórico trazia as notícias de que fariam umas mudanças no setor da empresa. Coisas simples, apenas reposicionariam os setores.
Papéis, arquivos e coisas miúdas. Era uma sala branca com detalhes em lilás onde a decoradora, de muito bom gosto por sinal, posicionou uma fonte junto à imensa janela de vidros. Atenta aos detalhes e à organização, Ana nem percebeu que o seu novo escritório dava frente ao do novo colega de trabalho.
De olhos fechados repousou em sua poltrona de veludo bege. Estava cansada. Girando de um lado pro outro ouvia o barulho acolhedor das águas. Se abrisse os olhos nesse instante veria Gerard em silêncio reparar em sua brincadeira.
Pelo Skype, os funcionários foram chamados a comparecerem ao refeitório. O imenso bolo em homenagem aos 10 anos da empresa chamou a atenção de Ana que salivando ansiosa esperava pela primeira mordida. O diretor da empresa apresentou a todos o funcionário recém-chegado. Ela estremeceu-se, seus olhos brilharam. Propositalmente estava bem vestida e maquiada levemente de forma que a cor castanha de seus olhos se destacou pelos traços de Creon. A alguns metros Gerard conversava com outros homens, porém não deixava de retribuir aos flertes de Ana. Cena impactante. Se cupidos existem, suas flechas se acabaram naquele momento.
E foi assim, um encontro inesperado. IV
Um romance à minha maneira.
O trajeto entre a veterinária e o serviço não era muito longo. Enquanto observava as árvores no canteiro da estrada, Ana se lembrava da infância. Como era atrevida. Subia em árvores, jogava pingue-pongue e batia nos meninos maldosos. Sempre assim, uma justiceira.
Chegou à porta do prédio. Desceu do carro sentindo o toque leve da brisa matutina. Algo bom aconteceria, afirmou. Ouviu vozes no salão de reuniões enquanto entrava em seu escritório. Ainda restavam alguns minutinhos antes da jornada de trabalho. Decidiu tomar um pouco de ar na sala de espera. Surpreendeu-se. Seu corpo respondeu rapidamente à visão. Respirou fundo, não queria que percebessem suas mãos frias e trêmulas. Esperou. Inspirou. Expirou. Com sorriso nos lábios cumprimentou a todos na sala. Bom dia! Que bom você por aqui. Pelo que vejo o projeto não ficará somente no papel, disse. Ele respondeu sorrindo. Ana nem se quer o escutou. Estava em êxtase. Apaixonada.
Seu nome era Gerard. Seus pais irlandeses vieram ao Brasil junto aos avós em meados da década de 60. Pele clara, olhos verde-escuros, cabelos castanhos. Todas as características de um fiel descendente irlandês. Tinha um pé em touro e outro em gêmeos. Essa mistura de signos fazia de sua personalidade um tanto quanto única. Introspectivo e comunicativo. Tranqüilo ao fazer suas diversas atividades simultâneas. Tímido mas engraçado e irônico. Era assim um dueto harmônico em uma só pessoa.
O trajeto entre a veterinária e o serviço não era muito longo. Enquanto observava as árvores no canteiro da estrada, Ana se lembrava da infância. Como era atrevida. Subia em árvores, jogava pingue-pongue e batia nos meninos maldosos. Sempre assim, uma justiceira.
Chegou à porta do prédio. Desceu do carro sentindo o toque leve da brisa matutina. Algo bom aconteceria, afirmou. Ouviu vozes no salão de reuniões enquanto entrava em seu escritório. Ainda restavam alguns minutinhos antes da jornada de trabalho. Decidiu tomar um pouco de ar na sala de espera. Surpreendeu-se. Seu corpo respondeu rapidamente à visão. Respirou fundo, não queria que percebessem suas mãos frias e trêmulas. Esperou. Inspirou. Expirou. Com sorriso nos lábios cumprimentou a todos na sala. Bom dia! Que bom você por aqui. Pelo que vejo o projeto não ficará somente no papel, disse. Ele respondeu sorrindo. Ana nem se quer o escutou. Estava em êxtase. Apaixonada.
Seu nome era Gerard. Seus pais irlandeses vieram ao Brasil junto aos avós em meados da década de 60. Pele clara, olhos verde-escuros, cabelos castanhos. Todas as características de um fiel descendente irlandês. Tinha um pé em touro e outro em gêmeos. Essa mistura de signos fazia de sua personalidade um tanto quanto única. Introspectivo e comunicativo. Tranqüilo ao fazer suas diversas atividades simultâneas. Tímido mas engraçado e irônico. Era assim um dueto harmônico em uma só pessoa.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
E foi assim, um encontro inesperado. III
Um romance à minha maneira.
Ela subiu as escadas. Jogou a bolsa pela mesa e dirigiu-se a janela. De lá, observava o movimento da avenida naquele dia nublado e chuvoso. Seu pensamento estava longe. Coração palpitante. Bendita hora a que decidiu olhar pela janela. Bem à frente o rapaz que a pouco encontrara conversava com dois homens. Engraçado, Ana pensou. Ele está no mesmo lugar em que o vi semanas atrás. Será que mora por aqui? Será que trabalha por ali?
Ela precisava saber. Passou a observar aquele local de tempos em tempos. A janela virou sua cúmplice. De nada adiantou. Nem sinal dele.
Questionou sua colega de trabalho. Queria informações sobre o projeto,mas não obteve êxito. Enquanto conversavam, Ana contava sobre as cartinhas que ela e o rapaz em questão trocaram no tempo de escola. Contava com empolgação sobre as caixas de bombom, presentinhos...
A chuva caía. Ventava forte e as ondas dos cabelos dourados se misturavam umedecendo-se. Não chegaria em casa tão cedo, acontecera um acidente segundos após sua passagem pela rotatória. Graças a Deus, exclamou exausta caindo em sua cama. Dormiu. Há tempos não pegava num sono tão profundo.
Levantou-se espreguiçando como quem havia sonhado com anjos. Preparou café, torradas e geléia de morango. Cena cômica. A cadela Tereza, acostumada a receber poucos pedacinhos, não conseguia entender. Rolava, corria, latia e Ana continuava com o pensamento longe. Caramba! É hora do seu banho filhota.
As duas passaram pelo jardim numa sincronia perfeita. Ana tinha tanto amor por sua cadela que seus olhos lacrimejavam apenas de pensar em perdê-la.
Ela subiu as escadas. Jogou a bolsa pela mesa e dirigiu-se a janela. De lá, observava o movimento da avenida naquele dia nublado e chuvoso. Seu pensamento estava longe. Coração palpitante. Bendita hora a que decidiu olhar pela janela. Bem à frente o rapaz que a pouco encontrara conversava com dois homens. Engraçado, Ana pensou. Ele está no mesmo lugar em que o vi semanas atrás. Será que mora por aqui? Será que trabalha por ali?
Ela precisava saber. Passou a observar aquele local de tempos em tempos. A janela virou sua cúmplice. De nada adiantou. Nem sinal dele.
Questionou sua colega de trabalho. Queria informações sobre o projeto,mas não obteve êxito. Enquanto conversavam, Ana contava sobre as cartinhas que ela e o rapaz em questão trocaram no tempo de escola. Contava com empolgação sobre as caixas de bombom, presentinhos...
A chuva caía. Ventava forte e as ondas dos cabelos dourados se misturavam umedecendo-se. Não chegaria em casa tão cedo, acontecera um acidente segundos após sua passagem pela rotatória. Graças a Deus, exclamou exausta caindo em sua cama. Dormiu. Há tempos não pegava num sono tão profundo.
Levantou-se espreguiçando como quem havia sonhado com anjos. Preparou café, torradas e geléia de morango. Cena cômica. A cadela Tereza, acostumada a receber poucos pedacinhos, não conseguia entender. Rolava, corria, latia e Ana continuava com o pensamento longe. Caramba! É hora do seu banho filhota.
As duas passaram pelo jardim numa sincronia perfeita. Ana tinha tanto amor por sua cadela que seus olhos lacrimejavam apenas de pensar em perdê-la.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
E foi assim, um encontro inesperado. II
II- Um romance à minha maneira.
Semanas se passaram. Ana continuava detestando acordar cedo pra trabalhar, embora soubesse que o trabalho ocupava sua mente e a poupava de viver suas crises existenciais. Gostaria mesmo era de morar em Fernando de Noronha e trabalhar como massagista à beira mar, sentindo aquele clima quente convidativo, desfrutando da natureza e se preocupando muito com o futuro das tartarugas marinhas e dos mimosos golfinhos. Impossível não seria, mas a vida nem sempre toma o rumo que a gente quer.
Era segunda-feira e como sempre a preguiça, o descontentamento e o desleixo acompanhavam a querida Ana.Creio que se soubesse o que a esperava, pelo menos teria colocado um salto. Ah, convenhamos uma mulher de salto tem seu lugar.
Seus pais a deixaram próximo ao prédio onde trabalhava. Não estava atrasada, e por incrível que pareça nesse dia não andava como se estivesse. Andou a passos curtos, pensando sabe-se lá em quê. Subiu alguns degraus e pra sua surpresa lá estava ele, o primeiro amor.
Sua fisionomia e seu físico sofreram algumas mudanças. De menino magrelo e rapaz sem jeito, se tornou um homem encorpado, de estatura mediana, com roupas simples e o mesmo olhar misterioso.
Cumprimentaram-se. Entre as palavras ditas e não ditas, ele disse que talvez passasse a freqüentar o prédio, pois estava pensando em fazer um projeto com algumas pessoas dali. Ana não pode conter seu entusiasmo, mostrando através de suas palavras o quanto gostaria que aquilo fosse colocado em prática. Claro,embora jamais dissesse,havia uma segunda intenção,se encontrariam mais vezes.
Despediram-se, muito formalmente. Nem se quer um abraço, nem mesmo um aperto de mão. Apenas encontrá-lo e ouvir sua voz já foi suficiente pra que o dia de Ana tomasse um rumo diferente. Novamente estava dando um troco na rotina.
Semanas se passaram. Ana continuava detestando acordar cedo pra trabalhar, embora soubesse que o trabalho ocupava sua mente e a poupava de viver suas crises existenciais. Gostaria mesmo era de morar em Fernando de Noronha e trabalhar como massagista à beira mar, sentindo aquele clima quente convidativo, desfrutando da natureza e se preocupando muito com o futuro das tartarugas marinhas e dos mimosos golfinhos. Impossível não seria, mas a vida nem sempre toma o rumo que a gente quer.
Era segunda-feira e como sempre a preguiça, o descontentamento e o desleixo acompanhavam a querida Ana.Creio que se soubesse o que a esperava, pelo menos teria colocado um salto. Ah, convenhamos uma mulher de salto tem seu lugar.
Seus pais a deixaram próximo ao prédio onde trabalhava. Não estava atrasada, e por incrível que pareça nesse dia não andava como se estivesse. Andou a passos curtos, pensando sabe-se lá em quê. Subiu alguns degraus e pra sua surpresa lá estava ele, o primeiro amor.
Sua fisionomia e seu físico sofreram algumas mudanças. De menino magrelo e rapaz sem jeito, se tornou um homem encorpado, de estatura mediana, com roupas simples e o mesmo olhar misterioso.
Cumprimentaram-se. Entre as palavras ditas e não ditas, ele disse que talvez passasse a freqüentar o prédio, pois estava pensando em fazer um projeto com algumas pessoas dali. Ana não pode conter seu entusiasmo, mostrando através de suas palavras o quanto gostaria que aquilo fosse colocado em prática. Claro,embora jamais dissesse,havia uma segunda intenção,se encontrariam mais vezes.
Despediram-se, muito formalmente. Nem se quer um abraço, nem mesmo um aperto de mão. Apenas encontrá-lo e ouvir sua voz já foi suficiente pra que o dia de Ana tomasse um rumo diferente. Novamente estava dando um troco na rotina.
E foi assim, um encontro inesperado. I
I- Um romance à minha maneira.
Ana caminhava pelas ruas arrastando seus pés, sonolenta. Ainda era manhã. Tinha a sensação de que o dia imitaria o anterior. Melhor, tinha a certeza de que ao fim do dia resmungaria algo do tipo: Ah rotina! Um dia te dou o troco!
Encontrou-se com uma velha conhecida. Enquanto conversava e gesticulava, o sol iluminava os contornos de seu rosto, as curvas de seu corpo e fazia o loiro de seus cabelos refletirem um brilho sem igual.
De repente teve a sensação de estar sendo observada. Virou-se delicadamente e o viu. Meu Deus, ela o viu. O reencontrou. Após tanto tempo. O meu primeiro amor, logo pensou.
Ele a fitava com seus olhos cor de esmeralda. Olhava de maneira tão profunda que parecia ter parado no tempo. Esquecendo de si. Lembrando os dois. Por longos segundos os olhares se cruzaram. Trocaram lembranças. Sentimentos. Dúvidas. Desejos.
Ela, em sua descrição apenas sorriu e acenou. Ele estava acompanhado de sua mãe e trazia no dedo anular da mão direita um anel de compromisso. Poderia ser mera impressão, porém a mãe, sensível e intuitiva como todas, percebeu que algo aqueceu o coração de seu filho. Também fitou a bela jovem, parecendo lembrar-se da constante presença daquela mocinha tímida, de cabelos rebeldes e paixão pelo seu rapazinho. Era na escola, nas casas onde faziam trabalhos, nas viagens de excursão... Os dois sempre juntos, sempre trocando presentinhos e cartinhas de amor.
Ah o tempo! Podem passar décadas, mas algumas características físicas não se modificam. Por exemplo, o olhar. Por mais que alguém envelheça, por mais que seu corpo e sua aparência se modifiquem, o jeito de olhar sempre será o mesmo. E foi isso, aquele olhar que fez com que um rebuliço de lembranças e felicidade tomasse conta de seu dia.
Ana passou o resto da manhã tentando não criar expectativas. Afinal, outra moça provavelmente linda e encantadora, havia tomado seu lugar. Que seja! Isso não mudará a bela história entre Ana e seu primeiro amor. E pelo que parece não fará com que ele a esqueça. Quem sabe esse conto ainda nem tenha chegado ao fim? Quem sabe um novo encontro os espera?!
Ana caminhava pelas ruas arrastando seus pés, sonolenta. Ainda era manhã. Tinha a sensação de que o dia imitaria o anterior. Melhor, tinha a certeza de que ao fim do dia resmungaria algo do tipo: Ah rotina! Um dia te dou o troco!
Encontrou-se com uma velha conhecida. Enquanto conversava e gesticulava, o sol iluminava os contornos de seu rosto, as curvas de seu corpo e fazia o loiro de seus cabelos refletirem um brilho sem igual.
De repente teve a sensação de estar sendo observada. Virou-se delicadamente e o viu. Meu Deus, ela o viu. O reencontrou. Após tanto tempo. O meu primeiro amor, logo pensou.
Ele a fitava com seus olhos cor de esmeralda. Olhava de maneira tão profunda que parecia ter parado no tempo. Esquecendo de si. Lembrando os dois. Por longos segundos os olhares se cruzaram. Trocaram lembranças. Sentimentos. Dúvidas. Desejos.
Ela, em sua descrição apenas sorriu e acenou. Ele estava acompanhado de sua mãe e trazia no dedo anular da mão direita um anel de compromisso. Poderia ser mera impressão, porém a mãe, sensível e intuitiva como todas, percebeu que algo aqueceu o coração de seu filho. Também fitou a bela jovem, parecendo lembrar-se da constante presença daquela mocinha tímida, de cabelos rebeldes e paixão pelo seu rapazinho. Era na escola, nas casas onde faziam trabalhos, nas viagens de excursão... Os dois sempre juntos, sempre trocando presentinhos e cartinhas de amor.
Ah o tempo! Podem passar décadas, mas algumas características físicas não se modificam. Por exemplo, o olhar. Por mais que alguém envelheça, por mais que seu corpo e sua aparência se modifiquem, o jeito de olhar sempre será o mesmo. E foi isso, aquele olhar que fez com que um rebuliço de lembranças e felicidade tomasse conta de seu dia.
Ana passou o resto da manhã tentando não criar expectativas. Afinal, outra moça provavelmente linda e encantadora, havia tomado seu lugar. Que seja! Isso não mudará a bela história entre Ana e seu primeiro amor. E pelo que parece não fará com que ele a esqueça. Quem sabe esse conto ainda nem tenha chegado ao fim? Quem sabe um novo encontro os espera?!
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