terça-feira, 4 de outubro de 2011

E foi assim, um encontro inesperado. III

Um romance à minha maneira.


Ela subiu as escadas. Jogou a bolsa pela mesa e dirigiu-se a janela. De lá, observava o movimento da avenida naquele dia nublado e chuvoso. Seu pensamento estava longe. Coração palpitante. Bendita hora a que decidiu olhar pela janela. Bem à frente o rapaz que a pouco encontrara conversava com dois homens. Engraçado, Ana pensou. Ele está no mesmo lugar em que o vi semanas atrás. Será que mora por aqui? Será que trabalha por ali?
Ela precisava saber. Passou a observar aquele local de tempos em tempos. A janela virou sua cúmplice. De nada adiantou. Nem sinal dele.
Questionou sua colega de trabalho. Queria informações sobre o projeto,mas não obteve êxito. Enquanto conversavam, Ana contava sobre as cartinhas que ela e o rapaz em questão trocaram no tempo de escola. Contava com empolgação sobre as caixas de bombom, presentinhos...
A chuva caía. Ventava forte e as ondas dos cabelos dourados se misturavam umedecendo-se. Não chegaria em casa tão cedo, acontecera um acidente segundos após sua passagem pela rotatória. Graças a Deus, exclamou exausta caindo em sua cama. Dormiu. Há tempos não pegava num sono tão profundo.
Levantou-se espreguiçando como quem havia sonhado com anjos. Preparou café, torradas e geléia de morango. Cena cômica. A cadela Tereza, acostumada a receber poucos pedacinhos, não conseguia entender. Rolava, corria, latia e Ana continuava com o pensamento longe. Caramba! É hora do seu banho filhota.
As duas passaram pelo jardim numa sincronia perfeita. Ana tinha tanto amor por sua cadela que seus olhos lacrimejavam apenas de pensar em perdê-la.