II- Um romance à minha maneira.
Semanas se passaram. Ana continuava detestando acordar cedo pra trabalhar, embora soubesse que o trabalho ocupava sua mente e a poupava de viver suas crises existenciais. Gostaria mesmo era de morar em Fernando de Noronha e trabalhar como massagista à beira mar, sentindo aquele clima quente convidativo, desfrutando da natureza e se preocupando muito com o futuro das tartarugas marinhas e dos mimosos golfinhos. Impossível não seria, mas a vida nem sempre toma o rumo que a gente quer.
Era segunda-feira e como sempre a preguiça, o descontentamento e o desleixo acompanhavam a querida Ana.Creio que se soubesse o que a esperava, pelo menos teria colocado um salto. Ah, convenhamos uma mulher de salto tem seu lugar.
Seus pais a deixaram próximo ao prédio onde trabalhava. Não estava atrasada, e por incrível que pareça nesse dia não andava como se estivesse. Andou a passos curtos, pensando sabe-se lá em quê. Subiu alguns degraus e pra sua surpresa lá estava ele, o primeiro amor.
Sua fisionomia e seu físico sofreram algumas mudanças. De menino magrelo e rapaz sem jeito, se tornou um homem encorpado, de estatura mediana, com roupas simples e o mesmo olhar misterioso.
Cumprimentaram-se. Entre as palavras ditas e não ditas, ele disse que talvez passasse a freqüentar o prédio, pois estava pensando em fazer um projeto com algumas pessoas dali. Ana não pode conter seu entusiasmo, mostrando através de suas palavras o quanto gostaria que aquilo fosse colocado em prática. Claro,embora jamais dissesse,havia uma segunda intenção,se encontrariam mais vezes.
Despediram-se, muito formalmente. Nem se quer um abraço, nem mesmo um aperto de mão. Apenas encontrá-lo e ouvir sua voz já foi suficiente pra que o dia de Ana tomasse um rumo diferente. Novamente estava dando um troco na rotina.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
E foi assim, um encontro inesperado. I
I- Um romance à minha maneira.
Ana caminhava pelas ruas arrastando seus pés, sonolenta. Ainda era manhã. Tinha a sensação de que o dia imitaria o anterior. Melhor, tinha a certeza de que ao fim do dia resmungaria algo do tipo: Ah rotina! Um dia te dou o troco!
Encontrou-se com uma velha conhecida. Enquanto conversava e gesticulava, o sol iluminava os contornos de seu rosto, as curvas de seu corpo e fazia o loiro de seus cabelos refletirem um brilho sem igual.
De repente teve a sensação de estar sendo observada. Virou-se delicadamente e o viu. Meu Deus, ela o viu. O reencontrou. Após tanto tempo. O meu primeiro amor, logo pensou.
Ele a fitava com seus olhos cor de esmeralda. Olhava de maneira tão profunda que parecia ter parado no tempo. Esquecendo de si. Lembrando os dois. Por longos segundos os olhares se cruzaram. Trocaram lembranças. Sentimentos. Dúvidas. Desejos.
Ela, em sua descrição apenas sorriu e acenou. Ele estava acompanhado de sua mãe e trazia no dedo anular da mão direita um anel de compromisso. Poderia ser mera impressão, porém a mãe, sensível e intuitiva como todas, percebeu que algo aqueceu o coração de seu filho. Também fitou a bela jovem, parecendo lembrar-se da constante presença daquela mocinha tímida, de cabelos rebeldes e paixão pelo seu rapazinho. Era na escola, nas casas onde faziam trabalhos, nas viagens de excursão... Os dois sempre juntos, sempre trocando presentinhos e cartinhas de amor.
Ah o tempo! Podem passar décadas, mas algumas características físicas não se modificam. Por exemplo, o olhar. Por mais que alguém envelheça, por mais que seu corpo e sua aparência se modifiquem, o jeito de olhar sempre será o mesmo. E foi isso, aquele olhar que fez com que um rebuliço de lembranças e felicidade tomasse conta de seu dia.
Ana passou o resto da manhã tentando não criar expectativas. Afinal, outra moça provavelmente linda e encantadora, havia tomado seu lugar. Que seja! Isso não mudará a bela história entre Ana e seu primeiro amor. E pelo que parece não fará com que ele a esqueça. Quem sabe esse conto ainda nem tenha chegado ao fim? Quem sabe um novo encontro os espera?!
Ana caminhava pelas ruas arrastando seus pés, sonolenta. Ainda era manhã. Tinha a sensação de que o dia imitaria o anterior. Melhor, tinha a certeza de que ao fim do dia resmungaria algo do tipo: Ah rotina! Um dia te dou o troco!
Encontrou-se com uma velha conhecida. Enquanto conversava e gesticulava, o sol iluminava os contornos de seu rosto, as curvas de seu corpo e fazia o loiro de seus cabelos refletirem um brilho sem igual.
De repente teve a sensação de estar sendo observada. Virou-se delicadamente e o viu. Meu Deus, ela o viu. O reencontrou. Após tanto tempo. O meu primeiro amor, logo pensou.
Ele a fitava com seus olhos cor de esmeralda. Olhava de maneira tão profunda que parecia ter parado no tempo. Esquecendo de si. Lembrando os dois. Por longos segundos os olhares se cruzaram. Trocaram lembranças. Sentimentos. Dúvidas. Desejos.
Ela, em sua descrição apenas sorriu e acenou. Ele estava acompanhado de sua mãe e trazia no dedo anular da mão direita um anel de compromisso. Poderia ser mera impressão, porém a mãe, sensível e intuitiva como todas, percebeu que algo aqueceu o coração de seu filho. Também fitou a bela jovem, parecendo lembrar-se da constante presença daquela mocinha tímida, de cabelos rebeldes e paixão pelo seu rapazinho. Era na escola, nas casas onde faziam trabalhos, nas viagens de excursão... Os dois sempre juntos, sempre trocando presentinhos e cartinhas de amor.
Ah o tempo! Podem passar décadas, mas algumas características físicas não se modificam. Por exemplo, o olhar. Por mais que alguém envelheça, por mais que seu corpo e sua aparência se modifiquem, o jeito de olhar sempre será o mesmo. E foi isso, aquele olhar que fez com que um rebuliço de lembranças e felicidade tomasse conta de seu dia.
Ana passou o resto da manhã tentando não criar expectativas. Afinal, outra moça provavelmente linda e encantadora, havia tomado seu lugar. Que seja! Isso não mudará a bela história entre Ana e seu primeiro amor. E pelo que parece não fará com que ele a esqueça. Quem sabe esse conto ainda nem tenha chegado ao fim? Quem sabe um novo encontro os espera?!
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