I- Um romance à minha maneira.
Ana caminhava pelas ruas arrastando seus pés, sonolenta. Ainda era manhã. Tinha a sensação de que o dia imitaria o anterior. Melhor, tinha a certeza de que ao fim do dia resmungaria algo do tipo: Ah rotina! Um dia te dou o troco!
Encontrou-se com uma velha conhecida. Enquanto conversava e gesticulava, o sol iluminava os contornos de seu rosto, as curvas de seu corpo e fazia o loiro de seus cabelos refletirem um brilho sem igual.
De repente teve a sensação de estar sendo observada. Virou-se delicadamente e o viu. Meu Deus, ela o viu. O reencontrou. Após tanto tempo. O meu primeiro amor, logo pensou.
Ele a fitava com seus olhos cor de esmeralda. Olhava de maneira tão profunda que parecia ter parado no tempo. Esquecendo de si. Lembrando os dois. Por longos segundos os olhares se cruzaram. Trocaram lembranças. Sentimentos. Dúvidas. Desejos.
Ela, em sua descrição apenas sorriu e acenou. Ele estava acompanhado de sua mãe e trazia no dedo anular da mão direita um anel de compromisso. Poderia ser mera impressão, porém a mãe, sensível e intuitiva como todas, percebeu que algo aqueceu o coração de seu filho. Também fitou a bela jovem, parecendo lembrar-se da constante presença daquela mocinha tímida, de cabelos rebeldes e paixão pelo seu rapazinho. Era na escola, nas casas onde faziam trabalhos, nas viagens de excursão... Os dois sempre juntos, sempre trocando presentinhos e cartinhas de amor.
Ah o tempo! Podem passar décadas, mas algumas características físicas não se modificam. Por exemplo, o olhar. Por mais que alguém envelheça, por mais que seu corpo e sua aparência se modifiquem, o jeito de olhar sempre será o mesmo. E foi isso, aquele olhar que fez com que um rebuliço de lembranças e felicidade tomasse conta de seu dia.
Ana passou o resto da manhã tentando não criar expectativas. Afinal, outra moça provavelmente linda e encantadora, havia tomado seu lugar. Que seja! Isso não mudará a bela história entre Ana e seu primeiro amor. E pelo que parece não fará com que ele a esqueça. Quem sabe esse conto ainda nem tenha chegado ao fim? Quem sabe um novo encontro os espera?!
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