Concluí, nesses dias tristes de meditação constante, que na verdade o que me incomoda tanto nem é o fato em si, e sim a secura dos corações que ficaram.
Como é fácil dizer que ele é quem escolheu assim, que o caminho que ele traçou o levou a morte, que ele não acreditava em Deus, que ele isso que ele aquilo.
Gente! Será que não é possível perceber que algumas pessoas são mais sensíveis? Eu me recuso a acreditar que cristãos o julguem dessa forma simplificada.
Creio que Jesus não olha apenas a ação e sim tudo o que o levou a tomar tal atitude.
Quem nunca quebrou um braço não sabe dizer qual é a dor, quem sempre teve os pais presentes não sabe dizer o vazio a que essa falta deixa no coração, não sabe mensurar a falta que faz os cuidados de uma mãe, o exemplo de um pai. O Deus a quem busco, olha além das aparências, enxerga na alma o que ninguém tem acesso.
É muito cômodo pensar que agora não há mais nada a ser feito. Que ele já se foi e agora só cabe a nós rezar pelos que ficaram.
Eu me recuso a pensar assim, mesmo que doa, não quero me tornar uma pessoa conformista. Está bem, o tempo que tive com ele por perto em carne e osso acabou. Mas quantos outros por aí na mesma situação? Quantos vivem com depressão profunda, escondida atrás de risos forçados por bebidas e drogas? Quantos querendo encontrar um sentido na vida, mas não encontram quem os direcione? Quantas Madalenas por aí sendo apedrejadas pelos “seguidores de Cristo”... Quanta hipocrisia!
Eu só espero que essa dor, esse sentimento de invalidez, torne-me aos poucos uma pessoa melhor. Capaz de entender que é preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã. Por que se pararmos pra pensar, na verdade não há.
ouçam pais e filhos - legião urbana)
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Adeus...
Será que eu poderia ter feito alguma coisa? Uma conversa, um olhar, uma palavra?
Se eu não fosse tão egoísta, tão presa em meu mundinho talvez um encontro modificasse esse fim. Talvez o fim nem tivesse chegado tão cedo.
É a segunda vez que me vejo diante de uma perda assim. Duas almas lindas que demonstravam nos lindos olhos claros uma solidão profunda.
É a segunda vez que me sinto um nada. Vejo a finitude humana diante de meus olhos e nada posso fazer. Nada ameniza essa dor.
Muitos podem até questionar o porquê dessa tristeza que me invade. Simplesmente sinto! É como se essas duas pessoas me fossem mais próximas do que na verdade eram. O que me incomoda é que toda vez que eu as via, sentia esse afeto, esse carinho de irmãos, eu não demonstrava. Acho que esse sentimento de tristeza se mistura com arrependimento. Arrependo-me de não ter quebrado a barreira da timidez indo ao encontro dessas almas.
Penso que a única coisa que me resta é orar, clamar a Deus pra que receba de braços abertos esses filhos amados, que por alguma razão nos deixaram tão cedo. Creio que a misericórdia divina supera qualquer ação humana. Qualquer.
Sendo assim, me resta buscar na certeza de que O Senhor os acolhe nesse instante, a alegria de saber que lá onde estão nada os perturbará e a felicidade estará a todo instante emanando de seus lindos olhos claros.
Até algum dia...
Mirlaine Lima
( one last breath - creed )ouça!
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