quarta-feira, 5 de outubro de 2011

E foi assim, um encontro inesperado. IV

Um romance à minha maneira.


O trajeto entre a veterinária e o serviço não era muito longo. Enquanto observava as árvores no canteiro da estrada, Ana se lembrava da infância. Como era atrevida. Subia em árvores, jogava pingue-pongue e batia nos meninos maldosos. Sempre assim, uma justiceira.
Chegou à porta do prédio. Desceu do carro sentindo o toque leve da brisa matutina. Algo bom aconteceria, afirmou. Ouviu vozes no salão de reuniões enquanto entrava em seu escritório. Ainda restavam alguns minutinhos antes da jornada de trabalho. Decidiu tomar um pouco de ar na sala de espera. Surpreendeu-se. Seu corpo respondeu rapidamente à visão. Respirou fundo, não queria que percebessem suas mãos frias e trêmulas. Esperou. Inspirou. Expirou. Com sorriso nos lábios cumprimentou a todos na sala. Bom dia! Que bom você por aqui. Pelo que vejo o projeto não ficará somente no papel, disse. Ele respondeu sorrindo. Ana nem se quer o escutou. Estava em êxtase. Apaixonada.
Seu nome era Gerard. Seus pais irlandeses vieram ao Brasil junto aos avós em meados da década de 60. Pele clara, olhos verde-escuros, cabelos castanhos. Todas as características de um fiel descendente irlandês. Tinha um pé em touro e outro em gêmeos. Essa mistura de signos fazia de sua personalidade um tanto quanto única. Introspectivo e comunicativo. Tranqüilo ao fazer suas diversas atividades simultâneas. Tímido mas engraçado e irônico. Era assim um dueto harmônico em uma só pessoa.

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