Um romance a minha maneira.
A construção no prédio às vezes a impedia de fazer suas ligações diárias. Irritada, tentava não pensar no tempo que estava perdendo ali. Era uma moça sonhadora. Desejava viajar o mundo a começar pelos cantos pouco conhecidos do Brasil. Como não tinha dinheiro e muito menos coragem se contentava em assistir a séries de TV. O pedreiro se aproximou e o som da furadeira se tornou ensurdecedor. Pelo corredor, impaciente ela resmungava palavrões. Por sorte seu chefe não ouviu. Eufórico trazia as notícias de que fariam umas mudanças no setor da empresa. Coisas simples, apenas reposicionariam os setores.
Papéis, arquivos e coisas miúdas. Era uma sala branca com detalhes em lilás onde a decoradora, de muito bom gosto por sinal, posicionou uma fonte junto à imensa janela de vidros. Atenta aos detalhes e à organização, Ana nem percebeu que o seu novo escritório dava frente ao do novo colega de trabalho.
De olhos fechados repousou em sua poltrona de veludo bege. Estava cansada. Girando de um lado pro outro ouvia o barulho acolhedor das águas. Se abrisse os olhos nesse instante veria Gerard em silêncio reparar em sua brincadeira.
Pelo Skype, os funcionários foram chamados a comparecerem ao refeitório. O imenso bolo em homenagem aos 10 anos da empresa chamou a atenção de Ana que salivando ansiosa esperava pela primeira mordida. O diretor da empresa apresentou a todos o funcionário recém-chegado. Ela estremeceu-se, seus olhos brilharam. Propositalmente estava bem vestida e maquiada levemente de forma que a cor castanha de seus olhos se destacou pelos traços de Creon. A alguns metros Gerard conversava com outros homens, porém não deixava de retribuir aos flertes de Ana. Cena impactante. Se cupidos existem, suas flechas se acabaram naquele momento.
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